Vamos viajar de moto pela América Latina?

 

Essa foi a pergunta que ficou relutando durante meses na minha cabeça. E não era por

medo de viajar de moto e nem por falta de vontade de conhecer a América Latina.

Honestamente? Era a preocupação em saber se eu teria ou não dinheiro suficiente. Afinal de

contas, viajar de moto não é simplesmente comprar uma passagem e reservar um hotel.

Seriam dias de viagem e cada noite em uma cidade diferente. Em meus poucos meses para

tomar uma decisão concreta, cortei gastos supérfluos e consegui juntar uma graninha. Não

dava pra pensar muito. Não dava pra adiar. Aquela seria a data perfeita para todas as pessoas

envolvidas: eu, meu noivo e mais um casal de amigos. E assim ficou decidido. Julho de 2015.

Saímos de Brasília rumo ao Acre. Era a nossa primeira meta, provar aos nossos amigos

e familiares que o Acre existe! Levamos em torno de uma semana até chegarmos lá. No

caminho passamos várias cidades interessantes, onde fomos muito bem recebidos. Em

Vilhena, Porto Velho e Rio Branco conhecemos pessoas incríveis que contribuíram bastante

para que tivéssemos uma viagem maravilhosa.

Entramos no Perú pelo Acre e partimos em uma viagem de dois dias rumo a Cusco. O

caminho para Cusco é um colírio para os olhos. Subimos a Cordilheira dos Andes até chegar a

uma altura de 4500 metros de altitude em relação ao mar. O ar lá é mais rarefeito e nossos

pulmões tropicalmente brasileiros sofreram um bocado com isso, então mascávamos muita

folha de coca (que achei bem ruim, mas do chá eu gostava).

Chegando a Cusco, cruzamos um trânsito que se compara ao trânsito indiano, de tão

intenso e sem lei, até finalmente chegarmos ao centro histórico. Lá, tudo muda de figura. O

centro histórico é lindo! Tínhamos um roteiro traçado e estudado de quais lugares

passaríamos, dormiríamos e quantos dias ficaríamos em cada cidade. Mas a cidade era tão

encantadora que acabamos estendendo nossa estadia lá. Fizemos então uma jornada rumo a

Macchu Picchu. Outra aventura encantadora cheia de histórias, belezas e mistérios.

Em Cusco, meu noivo e eu nos viciamos no suco de Chicha Morada que é um milho

roxo bem escuro. Além de ser delicioso, normalmente era o suco mais barato dos cardápios.

Não comemos comida típica pois não comemos carne e a comida típica de lá era normalmente

carne de alpaca e frango. Eles adoram frango. Então procurávamos locais que serviam pratos

vegetarianos.

Seguimos então para Puno, onde conhecemos o lago Titicaca, que mais parece um mar

de tão grande, e visitamos as ilhas flutuantes. De Puno fomos em direção à Bolívia onde

tivemos um impacto grande com relação às pessoas. Enquanto que no Perú todos foram muito

simpáticos e receptivos, na Bolívia foi bem diferente. Já não havia tanta receptividade, a

gasolina era mais cara para estrangeiros e não era em todo posto de gasolina que aceitavam

abastecer para estrangeiros, mesmo se pagássemos o valor 200% mais caro. Fomos a La Paz,

onde só passamos uma noite e foi mais que suficiente pois também não era uma cidade lá

muito agradável. Então partimos para Cochabamba. Lá mudamos toda nossa impressão sobre

a Bolívia. A cidade é linda, organizada, as pessoas são receptivas e agradáveis, assim,

acabamos por estender nossa estadia por lá também.

A viagem toda durou 22 dias. Fizemos boas escolhas de hotéis e hosteis; gastamos

uma média de R$40 a R$70 a diária de cada local que passamos. Não passamos por

dificuldades, graças a Deus e apesar da nossa primeira impressão negativa da Bolívia, voltamos

para casa só com coisas boas de cada lugar. Por vezes eu tento pensar na melhor coisa que já

fiz na vida e se essa viagem não foi a melhor coisa, ela está definitivamente no top 3. Assim,

deixo a minha recomendação: viaje mais, conheça mais, explore mais. Vale a pena cada

segundo, cada quilometro e cada centavo.

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